Agência Internacional AhlulBayt (A.S.) – ABNA Brasil: A injustiça, como um fenômeno antigo e enraizado na história humana, sempre esteve presente nas sociedades. Ao longo da história, uma verdade se mostrou constante: a injustiça não é eliminada por meio de negociações ou tolerância, mas apenas por meio da resistência e da firmeza. Negociar com o opressor não altera a essência da opressão, mas fortalece suas bases e amplia sua audácia.
O conceito de injustiça no Alcorão e no Nahj al-Balagha
O Alcorão dedica grande atenção à luta contra a injustiça, abordando esse tema em numerosos versículos. Na perspectiva islâmica, a injustiça não se limita à agressão física; o politeísmo, por exemplo, é considerado uma grande injustiça:
“O politeísmo é, de fato, uma grande injustiça.”
No entanto, no âmbito das relações sociais, o que possui maior importância é a injustiça contra os outros.
O Imam Ali (a.s.), ao recusar a ideia de alcançar vitória por meio da injustiça, disse:
“Quereis que eu obtenha vitória oprimindo aqueles sobre os quais governo? Por Deus, jamais farei isso enquanto o mundo existir.”
Essa declaração demonstra que a justiça é um limite intransponível, mesmo diante de interesses políticos.
O silêncio diante da injustiça: cumplicidade no crime
O Alcorão afirma:
“Quando esqueceram o que lhes foi lembrado, salvamos aqueles que proibiam o mal e punimos os injustos com severo castigo.”
Segundo os intérpretes, esse “esquecimento” significa ignorar conscientemente a verdade. Mais importante ainda, a passividade e a continuidade da relação com os opressores fazem com que a pessoa se torne cúmplice da injustiça.
O Profeta Muhammad (s.a.a.s.) disse:
“Se as pessoas virem um opressor e não o impedirem, é provável que Deus os atinja a todos com um castigo.”
O Imam Hussain (a.s.), em seu discurso em Mina, declarou que o domínio dos governantes injustos ocorre devido ao silêncio das elites. Isso mostra que a ausência de ação permite que a injustiça se fortaleça.
A filosofia do levante: da justiça à ação
O Imam Ali (a.s.), como símbolo da justiça, nunca adotou a negociação como solução diante da opressão. Em sua carta a Malik al-Ashtar, ele enfatiza a importância da justiça social e do cuidado com o povo:
“Organiza os assuntos do povo de forma que tragam benefício a eles, pois o bem-estar deles está ligado ao bem-estar de toda a sociedade.”
E também disse:
“Preenche teu coração com misericórdia, amor e gentileza para com o povo, e não sejas como um animal predador que busca devorá-los.”
Esses ensinamentos demonstram que o governante deve servir ao povo, não dominá-lo.
O Imam Ali (a.s.) também afirmou:
“O melhor dos homens diante de Deus é o líder justo… e o pior é o líder injusto que desvia a si mesmo e aos outros.”
Isso explica por que negociar com um líder injusto não resolve o problema, mas perpetua a injustiça.
A luta contra a injustiça como princípio universal
Esses ensinamentos não se limitam ao contexto religioso, mas possuem uma dimensão universal. A injustiça tem uma natureza expansiva e não pode ser contida por concessões. O Alcorão afirma:
“Se se afastarem, eu transmiti a mensagem, e Deus substituirá esse povo por outro.”
Isso indica que a mudança depende da ação humana. Se uma sociedade abandona a luta contra a injustiça, inevitavelmente enfrentará consequências.
O Imam Hussain (a.s.) declarou:
“Não me levantei por arrogância, excesso ou corrupção, mas para reformar a comunidade de meu avô.”
Essa afirmação mostra que o caminho da transformação passa pela ação, não pela negociação com a injustiça.
Conclusão
A transformação das sociedades não ocorre por meio de concessões ao opressor, mas por meio da ação consciente, da resistência e da responsabilidade coletiva.
O caminho é claro: o caminho do Imam Ali, do Imam Hussain e de todos aqueles que se levantaram pela justiça ao longo da história.
A injustiça não deve ser negociada — deve ser superada.
Notas de referência
- Alcorão Sagrado, Surata Luqman, versículo 13
- Nahj al-Balagha, sermão 126
- Alcorão Sagrado, Surata Al-A‘raf, versículo 165
- Tradução de Tafsir al-Mizan, vol. 9, p. 360
- Nahj al-Fasaha, hadith 833
- Tuhaf al-‘Uqul, p. 237
- Nahj al-Balagha, carta 53
- Nahj al-Balagha, sermão 164
- Alcorão Sagrado, Surata Hud, versículo 57
- Bihar al-Anwar, Allama Majlisi, vol. 44, p. 329
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